Já passam das duas da madrugada e eu ainda consigo sentir o perfume dele, impregnado nas minhas roupas. Estou envolta pelos dois
edredons que ainda existiam no quarto dos meus pais, tão
ralos e
embolorados que eu obriguei meu corpo a não ter ataques alérgicos nessa noite. Somente por essa noite.
Olho na janela gasta e de vidro riscado a minha frente, o começo da cama está rente ao resto de parede perto á janela. As árvores balançam á fora, mas eu não consigo dormir. Não consigo dormir e não é por causa do frio arrebatador e insuportável que faz nessa noite. Não consigo dormir pelo perfume
irresistívelmente masculino de brota de meu
moletom surrado, tão forte e ao mesmo tempo tão cálido.
Eu certamente não consigo explicar o que passa em minha cabeça, essa necessidade infinita e sem fundamente
algum de querer estar ao lado dele. De abraçá-lo. De protegê-lo de todos os temores
malévolos desse mundo e de que ele me proteja também. Não compreendo, e nem faço esforço para que isso se explique.
Sorri. Os primeiros flocos de neve começaram a descer por fora da janela. A luz está ficando fraca e não é por causa da conta de luz não paga e muito menos porquê a Lua
resolveu racionar a sua luminosidade. É apenas meu sono que chega com o esvair do cheiro dele de minhas roupas...